terça-feira, 10 de janeiro de 2012

O recesso tão esperado chegou

Esse ano não foi nada fácil. Chorei algumas vezes diante das dificuldades encontras no caminho. Eu nunca pensei que fosse fácil... Mas há também os acontecimentos que precisamos dividir, pela capacidade de diminuir as barreiras, Suavisando o caminhar.  Minha relação com os meus alunos. Sim, são meus. E aquele que mexer com um deles, prepare-se. Não brinco de ser professora. E eles,  com o tempo, percebem que não é interessante brincar de ser aluno. É pra valer. Por isso, as conturbações. Não finjo que esta tudo bem e descanso. Tem que estar tudo bem e não canso. Ah, sim, os acontecimentos. Desculpe-me. Eu recebo muitas cartinhas dos alunos. Cada uma delas, recheada de iguarias finas, melhora o meu caminhar na profissão. Neste ano, apesar das dificuldades encontradas no começo, recebi muitas. Mas, sete delas, foram além do me fazer bem. Seis foram das alunas da Quarta Série B. Em cada linha, elas foram muito mais do que elogios, sempre bem-vindos, pontuaram a importância do professor que sabe ouvir. Respeitando-as. Exemplificaram os conteúdos que amaram e, segundo elas, jamais esquecerão, de tão legal que foi aprender. Meu dia já estava ganho. Então fui para a outra escola e recebi uma carta da Solange, aluna da EJA (Educação de Jovens e Adultos) Ela escreveu assim: “ eu gostei muito da sala de leitura porque eu comecei a me interessar por leitura e amei demais os livros. Quando comecei eu lia sem atenção mas aprendi com você como é gostoso a gente começar a entender o que esta lendo. Parece que a gente é da história; é muito legal. Comecei a ler um livro e senti que fazia parte daquela história. Cheguei a ouvir o barulho do trem e senti o cheiro do capim também. Parecia que eu estava assentada em uma cadeira daquelas que só vemos em filmes, me senti como se eu estivesse em uma viagem de trem. Foi muito bom...” Disse também: “ vou sentir saudade e agora levo o livro para o trabalho. Leio no ônibus e qualquer tempo que arrumo é para viajar nas histórias”. Ah..., sentiu a poesia? Foi uma das coisas mais emocionantes que li. Foi lindo. Voltei para casa com o sorriso me rasgando os lábios, totalmente boba. Ai no outro dia teve reunião de pais da Quarta Série B e um grupo de alunos, na hora da reunião, quiseram me agradecer dizendo que eu fiz a diferença na vida deles. E para acabarem de vez comigo, as mães me aplaudiram pela dedicação e pelo entusiasmo que perceberam nas crianças depois das minhas aulas. As mães repetiram os que as meninas escreveram nas cartinhas. Disseram até que conversaram muito entre elas, sobre o aumento do interesse pelos estudos, pelos trabalhos e, principalmente, pela leitura.  Ah..., de novo ah! Só consigo dizer isso. Preciso falar como ficaram meus olhos? Eu poderia guardar isso pra mim, no entanto não seria justo. Se eu desabafei a incompreensão, a “burrocracia” e a falta de apoio de alguns nessa minha caminhada, minha obrigação é externar a emoção que senti ao constatar que nadar contra a corrente é preciso e vale à pena. São essas coisas que me fazem sorrir na profissão. E se querem saber, eu fiquei envaidecida sim! Porque eu faço com amor. Porque o desprestigio não me atingiu. Porque eu fiquei muito, muito feliz em ver o resultado das minhas noites mal dormidas, das minhas horas dedicadas em casa, sem remuneração, e principalmente, das minhas conversas sobre a necessidade de cada um daqueles alunos se enxergarem como cidadãos. Com direitos e deveres. Eu sugeri livros e pesquisas, no entanto, se elas não quisessem, seria apenas uma boa aula. Foi além. Elas buscaram o meu esforço, me fizeram estudar mais e me sentir viva. Elas me fizeram sorrir mesmo com todas as dificuldades encontradas. E o ano letivo terminou muito, muito mais bonito.






Sabe. Minhas conversas aqui, sempre foram sinceras. Não seria agora que faria um charminho ou utilizaria a falsa modéstia. Eu quero muito no próximo ano letivo ter mais histórias como essas para contar.  Não é sempre assim. Não é... Não disfarço a minha vontade de ser admirada e respeitada pelo que faço. Eu quero que seja diferente. Eu poderia ter um pudor, guardar o que sinto nesse momento. Resolvi não fazer isso. Ainda que nos próximos dias me arrependa de não ter guardado um pouco mais [ escrevi no finalzinho de dezembro]. A vaidade aqui, não é sinônimo de soberba. É a felicidade de me achar perto, novamente, do que me fez sair de casa e cursar Pedagogia... Eu encontrei motivos de gostar de verdade da escola, em um cursinho *pré-vestibular. Consegui uma bolsa lá e convivi com professores que foram além das minhas expectativas. Tudo era muito, muito difícil pra mim depois de oito anos fora da escola, mas ir lá era prazeroso. Era encantador ver os conteúdos serem ensinados de um jeito tão natural que prendiam a minha atenção. Tinha umas matérias que eu não entendia nada, mas não conseguia sair da sala. Alguma coisa eu aprendia. Eu sentia os cheiros das coisas também. Assim, como a Solange. Meu pensamento era: ah, eu queria que fosse igual para as crianças. Que elas pudessem ter essa sensação antes do vestibular. Foi um dos motivos que me fizeram mudar a opção de curso. Gosto muito de ser professora. Não sei se é para sempre, mas sei que só não será quando eu tiver que fingir.    

* AACP, Ah... rs Que saudade. 

2 comentários:

  1. É enormemente satisfatório quando sentimos que colocamos um "tijolinho" na construção da vida das pessoas. Parabéns por fazer disso não somente o seu trabalho mas a sua vida! Abraços!

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  2. Ah... , é muito, muito bom sentir o cheiro do concreto em cada tijolinho sonhador, Wash. Obrigada. Construções possíveis, casas alicerçadas. Em boa terra, florescem as possibilidades, os sonhos. Pego carona, não me privo de sonhar junto, porque não faz o menor sentido entrar nessa, sem um propósito. Sem querer sentir as fragrâncias das plantas. E tem que querer muito viu?! É... Às vezes dá vontade de desistir, pelas incompreensões e por parecer que fazer a coisa certa é errado. Há momentos de solidão, sabe? É quando balançamos um cadinho. Tenho medo é da “pedagogia do portfólio”. Tudo é bonitinho demais e não bate com a realidade. Ai, o bonito dos sonhos passa a ser esmagado pela vaidade, pelos poderes e pela covardia de arriscar a perda de um cargo ao dizer o que se pensa. Então o ideal é apresentado sem mostras da real distância do real, enfeitando o olhar.

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